O MAIOR PRODUTOR DE JABUTICABA DO MUNDO
Maior produtor de jabuticaba do mundo, Hidrolândia recebe encontro da Emater sobre inovação na cultura da fruta
21 agosto 2026 às 09h21
Evento acontece no dia 27 de agosto e deve reunir 250 produtores
Hidrolândia vai receber na próxima quinta-feira, 27, o V Encontro Técnico sobre a cultura da jabuticabeira, promovido pela Emater Goiás. O evento, que acontece no Salão Maçônico Marly Natalina, na zona rural do município, deve trazer produtores rurais, pesquisadores e estudantes para discutir sobre manejo, pesquisas e o potencial econômico da fruta. A programação tem início às 12h45 e as inscrições podem ser realizadas pelo link ou presencialmente no dia do encontro.
De acordo com a coordenadora da Regional Rio das Antas da Emater, Géssyca Neves, o sistema de cadastro da instituição já contabiliza aproximadamente 128 polares e cerca de 250 produtores registrados. “Dentro das nossas estatísticas, nós temos uma estimativa anual de 6 mil toneladas de fruto”, revela. Além disso, cada pé de jabuticaba produz, em média, 93 quilos da fruta por ano. Os números fazem de Hidrolândia um dos principais polos produtores da jabuticaba em Goiás, com destaque também para o turismo rural, que atrai milhares de visitantes durante a safra, entre setembro e novembro.
Segundo Géssyca, este será o primeiro encontro realizado durante a temporada da fruta, o que representa uma novidade em relação às edições anteriores. A mudança visa aproximar produtores e pesquisadores do momento mais crítico e produtivo do ciclo da jabuticabeira, potencializando as trocas de experiências e a aplicação prática das pesquisas desenvolvidas em parceria com o Instituto Federal Goiano (IF Goiano) e a Prefeitura Municipal.
Entre os temas em destaque nesta edição, o turismo rural será uma ferramenta de diversificação de renda e valorização da propriedade. “O turismo rural nada mais é do que a propriedade, que tem determinada produção, e abre para os turistas conhecerem. Uma como forma de conhecimento e a outra é outro viés financeiro, que abre para a propriedade”, explica Géssyca. Além disso, o encontro contará com uma roda de conversa entre produtores, momento em que serão compartilhadas experiências de sucesso e desafios enfrentados no dia a dia do cultivo, respeitando as particularidades de cada propriedade rural.

A Emater também tem se dedicado a ampliar as possibilidades de aproveitamento da produção por meio do processamento artesanal de derivados. “Nós temos um mercado tradicional, que é comercializada a fruta. Só que dentro desse mercado, o excedente, muitas vezes, aquele agricultor familiar, onde a mão de obra primordial é daquela família, não tem onde escoar toda a produção”, observa a coordenadora. Para solucionar esse gargalo, foram desenvolvidas receitas que incluem doce da casca da jabuticaba, licor, sorvete, picolé e laranjinha, garantindo destinação ao excedente que antes era desperdiçado.
A agricultura familiar é o público-alvo prioritário da Emater, e as ações da instituição são orientadas pelas demandas individuais dos produtores. “Nós não podemos vislumbrar e sonhar algo que não está ao alcance do produtor. A gente pode dar condições, suporte, assistência técnica, esclarecimento, ajudar com as demandas de ciência, para que eles tenham esse suporte”, afirma Géssyca Neves. Nesse sentido, a parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG), por meio do CESU-Agro (Centro de Excelência em Saúde Única), tem sido fundamental para oferecer respostas científicas às demandas do campo.
Outro ponto de destaque abordado pela coordenadora é a sucessão rural, tema que tem mobilizado a Emater em programas como o Agrosocial Jovem. “A questão da sucessão é questão de cultura. Até essa geração anterior, era-se empregado muito que o filho tinha que ir para grandes centros, tinha que estudar, se desenvolver. E aquele filho que retornava era o filho que não dava certo”, relembra. A instituição tem trabalhado para mudar essa perspectiva, envolvendo os jovens nas visitas técnicas e nas decisões da propriedade, valorizando o empreendedorismo e a inovação que eles trazem consigo.
Além disso, Géssyca Neves ressalta a importância do planejamento individual diante dos desafios climáticos, como o El Niño, que afeta toda a cadeia produtiva. “A questão da mudança climática é uma questão de planejamento individual. É sempre, cada vez, ter um planejamento eficaz, um controle, avaliar a questão de dados como foram os anos passados, estudar a questão climática”, orienta. O trabalho contínuo de educação e conscientização nas escolas e nas comunidades rurais integra a estratégia da Emater para construir um futuro mais sustentável e produtivo para o campo goiano.
Fazenda Jabuticabal
E esse simbolismo da jabuticaba se materializa na histórica da Fazenda Jabuticabal, que também fica em Hidrolândia. Reconhecida mundialmente, a propriedade detém o título de maior plantação da fruta em todo o planeta, reunindo cerca de 42 mil pés de jabuticaba em sua extensão. Essa trajetória de sucesso, no entanto, teve um início modesto em 1947, no período posterior à Segunda Guerra Mundial. Foi naquele ano que Antônio Batista da Silva deu os primeiros passos do cultivo e plantou os primeiros exemplares da fruta na área que, com o passar das décadas, se consolidaria como a icônica Fazenda Jabuticabal, transformando a cidade em uma referência para os amantes da fruta em todo o Brasil.
Leia também:
Compartilhe este conteúdo:



Publicar comentário