PRODUTORES PARANAENSE TRIPLICA APRODUÇÃO DE MILHO E ASSUNE LIDERANÇA NACIONAL
Agricultor paranaense triplica a produtividade do milho e estabelece recorde nacional; conheça a estratégia
Eduardo Pletz colheu 369,92 sacas por hectare no Concurso Getap Verão 2026. O resultado é atribuído ao manejo do solo desenvolvido ao longo de gerações, aliado à adoção de tecnologias validadas pela pesquisa
Eduardo Pletz atribui o recorde de 369,92 sacas de milho por hectare ao manejo do solo desenvolvido ao longo de gerações e ao uso de tecnologias validadas pela pesquisa.
29deJulhode2026ás09:00
Enquanto a produtividade média do milho de primeira safra no Brasil é estimada em 119 sacas por hectare na temporada 2025/26, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o produtor paranaense Eduardo Pletz, de Guarapuava (PR), alcançou 369,92 sacas por hectare — mais de três vezes a média nacional — e estabeleceu um novo recorde no Concurso de Produtividade do Milho do Getap Verão 2026, promovido pelo Grupo Tático de Produtividade do Milho (Getap).
Formado em Medicina Veterinária e com mais de uma década de atuação na área de nutrição animal em uma cooperativa paranaense, deixou o emprego para retornar à propriedade da família, participar da sucessão familiar e dar continuidade ao trabalho iniciado pelo avô.
A escolha transformou-se em um caso de sucesso no campo. “Em 2016 decidi voltar para a nossa propriedade para trabalhar ao lado do meu pai e garantir a continuidade dos negócios da família. Hoje conduzimos juntos toda a operação agrícola e já estamos preparando meu filho, que está cursando Agronomia e também participa das atividades. É um conhecimento que passa de geração para geração, sempre incorporando novas tecnologias”, afirma o agricultor.

Os segredos do campeão
A propriedade da família Pletz possui 110 hectares, onde o sistema produtivo é baseado na diversificação e na rotação de culturas. No verão, cerca de 30% da área é destinada ao milho e 70% à soja.
No inverno, são cultivados trigo e cevada nas áreas de soja, enquanto as áreas destinadas ao milho recebem plantas de cobertura, como ervilha, ervilhaca e aveia. A estratégia busca melhorar a estrutura física e a fertilidade do solo.
Segundo o produtor, o recorde não é resultado de uma única decisão, mas da construção de um sistema produtivo aperfeiçoado ao longo de décadas.
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“Esse trabalho de manejo e estruturação do solo vem desde o meu avô, e nós apenas damos continuidade. Quando existem áreas bem manejadas, aliado ao capricho, à tecnologia e às condições climáticas favoráveis, o resultado aparece. Não existe receita pronta, é uma construção feita ao longo dos anos”, detalha.
Outro diferencial é a adoção de tecnologias respaldadas por pesquisas regionais. Pletz explica que todas as decisões técnicas da fazenda são baseadas nas recomendações da Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária (Fapa), responsável por validar materiais genéticos e práticas de manejo adaptadas às condições da região.
“Neste ano utilizamos variedades novas, com genética mais avançada e alguns ajustes tecnológicos que contribuíram para elevar ainda mais os resultados. O híbrido P25300PWU, da Pioneer® Sementes, com o qual concorremos, está em seu primeiro ano de comercialização e já demonstrou um enorme potencial produtivo”, afirma.
Além da tecnologia, as condições climáticas também favoreceram a lavoura.
“Tivemos noites frias, dias quentes e uma distribuição de chuvas muito boa. Isso favoreceu o desenvolvimento da cultura, mas só produz resultado quando o restante do sistema já está preparado”, detalha Pletz.
Reconhecimento
O desempenho alcançado no concurso também se refletiu na fazenda, que registrou o melhor resultado produtivo de sua história. Agora, segundo o produtor, o objetivo é adaptar, sempre que possível, as tecnologias utilizadas na área campeã para o restante da propriedade.
“Nem tudo pode ser replicado exatamente da mesma forma em áreas maiores, mas tudo o que for viável nós vamos incorporar. A agricultura exige evolução constante, e assim seguiremos”, adianta.
Embora o resultado tenha chamado atenção por ter sido obtido em uma lavoura conduzida em sistema de sequeiro, superando produtividades registradas em áreas irrigadas, Pletz acredita que o principal legado da conquista vai além dos números.
Para ele, o concurso incentiva a busca contínua por conhecimento e fortalece o intercâmbio entre produtores.
“O Getap incentiva o produtor a evoluir todos os anos. O mais importante é a troca de experiências. Cada região possui suas particularidades, e todos aprendem quando compartilham informações. Precisamos trabalhar juntos para tornar a agricultura cada vez mais eficiente e produtiva”, diz.
Concurso estimula boas práticas
Além de reconhecer os produtores com os maiores rendimentos do país, o Concurso de Produtividade do Milho do Getap tem como principal objetivo incentivar a adoção de boas práticas de manejo e promover a troca de conhecimento entre agricultores, pesquisadores, consultores e empresas do setor.
Na edição Verão 2026, os resultados evidenciaram o avanço da inovação e da gestão agrícola na cultura do milho, com produtividades recordes e participação crescente de produtores de diferentes regiões do Brasil.
Para Gustavo Capanema, coordenador técnico do Getap, o desempenho dos participantes demonstra que o acesso à informação, às novas tecnologias e às recomendações técnicas está cada vez mais disseminado no campo.
“Temos milho sendo produzido praticamente em todo o Brasil, com tetos produtivos altíssimos. Isso mostra que a tecnologia desenvolvida pelas empresas, técnicos, pesquisadores e demais profissionais envolvidos está sendo propagada e disseminada”, afirma.
Segundo Capanema, a conquista da família Pletz representa não apenas um recorde de produtividade, mas também o resultado de um trabalho pautado em planejamento, sucessão familiar, manejo do solo e aplicação consistente de tecnologias validadas pela pesquisa.
“Todos esses fatores certamente contribuirão para elevar o potencial produtivo da agricultura brasileira”, finaliza o coordenador técnico do Getap.
Com o resultado de 369,92 sacas por hectare, Eduardo Pletz estabelece um novo patamar para a produtividade do milho em sistema de sequeiro no Brasil e reforça a importância do manejo do solo, da sucessão familiar e da adoção de tecnologias validadas pela pesquisa para alcançar elevados rendimentos.
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