PANORAMA GLOBAL DE MOVIMENTAÇÃO DE CREDITO CARBONO

Panorama Geral de Preços: Brasil vs. Mundo

Os preços variam drasticamente dependendo da tipologia do projeto (se é de evitação de desmatamento ou de remoção/reflorestamento) e de sua elegibilidade para mercados regulados.

ZS Advogados Associados

  • Créditos de Evitação (REDD+ – ex: Amazônia): ZS Advogados Associados
    • No Brasil: Negociados no mercado voluntário entre US$ 5 e US$ 12 por tonelada de CO2 equivalente (tCO2​e), com médias consistentes em torno de US$ 8 para projetos de grande escala na Amazônia. ZS Advogados Associados
    • No Mundo: Os créditos baseados na natureza (Nature-Based Solutions) globais sofrem pressão de oversupply (excesso de oferta) e ceticismo quanto à integridade, mantendo-se em faixas similares (US$ 5 a US$ 15), salvo os projetos com certificações de co-benefícios sociais e de biodiversidade muito elevados.
  • Créditos de Remoção (ARR – Reflorestamento e Aforestamento): ZS Advogados Associados
    • No Brasil: Altamente valorizados, variando de US$ 35 a US$ 38+ por tCO2​e, impulsionados pela alta demanda corporativa por ativos de alta qualidade e remoção real de carbono (como o trabalho de scale-ups de reflorestamento de pastagens degradadas). ZS Advogados Associados+ 1
    • No Mundo: O mercado europeu e os padrões premium de remoção negociam faixas parecidas ou superiores, visto que o comprador busca neutralizações definitivas.

2. O Cenário Brasileiro: Transição Eleitoral e o SBCE

O Brasil está no centro das atenções globais por conta da regulamentação do SBCE (Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa) e das discussões sobre a transição econômica e os rumos políticos do país. Esse cenário reflete diretamente na precificação e nas regras do jogo:

IMARC Group

  • O “Prêmio de Conformidade” (SBCE): A regulamentação brasileira está definindo as regras para o mercado regulado (cap-and-trade). Os créditos que forem aceitos para o cumprimento de metas de grandes emissores nacionais (com teto de multas severas e leilões governamentais projetados na faixa inicial de US$ 10 a US$ 20 / R$ 50 a R$ 100) tendem a receber um prêmio expressivo (+40% a +80%) em relação aos créditos puramente voluntários. ZS Advogados Associados
  • Controle de Exportações e Soberania Climática: O governo e os debates políticos atuais têm discutido travas e limites para a exportação de créditos soberanos (como propostas de limitar o volume de créditos REDD+ enviados ao exterior entre 2031 e 2035). O objetivo estatal é reter ativos para o cumprimento das metas brasileiras do Acordo de Paris (NDC) e garantir arrecadação interna. Isso gera cautela nos desenvolvedores de projetos, mas valoriza o ativo interno estratégico. ZS Advogados Associados+ 1
  • A Incerteza da Transição Eleitoral: Períodos de transição e debates eleitorais no Brasil trazem volatilidade temporária. Investidores estrangeiros monitoram de perto a segurança jurídica sobre o uso de terras (regras do INCRA para estrangeiros), a efetividade no combate ao desmatamento ilegal e a clareza sobre a taxação (reforma tributária em implementação impactando PIS/Cofins, IBS/CBS e lucros de SPVs).

3. O Reflexo no Mundo

  • Exigência de Integridade (ICVCM e Core Carbon Principles): O mercado internacional está cada vez mais rigoroso. Créditos florestais genéricos sem forte comprovação social ou com metodologias antigas de “baseline” de desmatamento perderam espaço. O foco global migrou para a qualidade e a robustez do MRV (Mensuração, Relato e Verificação).
  • Artigo 6 do Acordo de Paris: O apetite de compradores estrangeiros (governos e corporações multinacionais via cooperação bilateral) depende de autorizações governamentais (corresponding adjustments) para evitar dupla contagem. Como o Brasil adota uma postura firme de soberania sobre seus créditos florestais na Amazônia, fechar acordos internacionais de transição de créditos sob o Artigo 6 tornou-se um processo altamente estratégico e diplomático.

Em suma, o mercado florestal brasileiro transita de uma fase “puramente voluntária e barata” para um ecossistema industrial e regulado, onde o preço do carbono reflete não só o gás evitado, mas a segurança jurídica, a integridade do bioma e o selo de conformidade com as novas leis nacionais.

Minha amiga, diante de tantas nuances

Compartilhe este conteúdo:

Publicar comentário

Você pode ter perdido