MP ELEITORAL PROIBE CANDIDATOS DE USAR IMAGEM DE JAIR BOLSONARO EM MATERIAL DE CAMPANHA ELEITORAL
USARJustiça Eleitoral20 de setembro de 2026
15 horas atrás
MP Eleitoral proíbe candidatos de usar imagem de Bolsonaro em materiais de campanha
Imagem de Bolsonaro em santinho e wind banner pode ser denunciada pelo aplicativo Pardal
Usar a fotografia de Jair Messias Bolsonaro em santinhos, panfletos e wind banners ao lado do nome e do número de urna deixou de ser só estratégia de campanha. Passou a ser alvo de liminar do TSE, de decisões em São Paulo e no Distrito Federal e, em Goiás, de um parecer firme do Ministério Público Eleitoral. Candidatos que mantiverem o material exposto nas ruas correm o risco de recolhimento, multa e representação. Eleitores podem registrar e denunciar pelo aplicativo Pardal.
Por que o material virou irregularidade
Em 16 de setembro, a ministra Estela Aranha, do TSE, determinou que o candidato Lucas Bove (PL-SP) parasse de veicular santinhos e wind banners com a foto do ex-presidente. A relatora entendeu que a imagem em destaque, colada ao nome e ao número, transmite ao eleitor um apoio político-eleitoral e tenta contornar ordem do STF.
A base é a Execução Penal nº 169/DF. Em julho, o ministro Alexandre de Moraes proibiu a “divulgação de manifestos político-eleitorais, inclusive por terceiros, independentemente do meio utilizado”, enquanto Bolsonaro estiver com direitos políticos suspensos.
O plenário do TSE ainda não fechou tese definitiva — um pedido de vista interrompeu o julgamento. Enquanto isso, a liminar segue valendo no caso paulista e já é citada como parâmetro em outros estados. Em Brasília, o TRE-DF tirou do ar inserção de Michelle Bolsonaro que usava a imagem e uma fala atribuída ao ex-presidente. Em Valinhos (SP), a Justiça mandou recolher wind banners semelhantes.
O recado prático para quem disputa 2026: estampar Bolsonaro no material de rua não é gesto “neutro”. Pode ser lido como manifesto por procuração.

O parecer do MP de Goiás acertou o ponto
Em Goiânia, o Ministério Público Eleitoral da 127ª Zona fez o que se espera de fiscal da lei: leu o precedente nacional, confrontou com a prova local e não deixou o caso morrer na prateleira.
A Notícia de Irregularidade nº 0600066-69.2026.6.09.0127 nasceu no Pardal. O alvo foi um wind banner do candidato a deputado federal Fred Rodrigues (PL), na Rua C-267 com a Rua C-178, Setor Nova Suíça. A bandeira misturava foto, nome e número do candidato com a imagem de Bolsonaro em destaque.
No parecer de 18 de setembro, o promotor Publius Lentulus Alves da Rocha foi direto. A peça, escreveu, “não se limita a referência histórica, informativa ou meramente ilustrativa”. Usa a fotografia como parte da mensagem de campanha e sugere associação e apoio político. Citou a identidade com o caso do TSE e pediu o envio integral dos autos à Procuradoria Regional Eleitoral em Goiás, para representação e as medidas que a PRE entender cabíveis.
É um parecer responsável. Não transforma o juízo da zona em atalho sancionatório fora da atribuição; escala o fato a quem pode ajuizar a ação. Ao mesmo tempo, deixa registrado, com foto nos autos, que a prática em via pública de Goiânia é a mesma já barrada em São Paulo. Candidatos no estado que insistirem no modelo estão avisados.
O risco concreto para a campanha
Quem mantiver santinho, panfleto ou wind banner com a foto de Bolsonaro em posição de destaque expõe a chapa a:
– ordem de retirada imediata, no poder de polícia eleitoral;
– multa por propaganda irregular;
– representação no TRE, com pedido de abstenção e, conforme o caso, outras sanções;
– leitura de tentativa de burlar restrição do STF — debate mais grave do que o de um banner mal colocado na calçada.
A defesa costuma dizer que a restrição é pessoal e que a foto só identifica uma corrente política. Parte do TRE-SP chegou a acolher essa tese. O TSE, em liminar, e o MPE de Goiás, no parecer, foram na direção oposta: o eleitor vê endosso, não aula de história.
Até o plenário decidir, o custo de errar é da campanha, não do eleitor que denuncia.

Como denunciar no Pardal
O Pardal é o canal oficial do TSE. Qualquer pessoa pode usar, sem advogado.
- Baixe o aplicativo Pardal (Android ou iOS) ou acesse o serviço pelo site da Justiça Eleitoral.
- Tire foto nítida do santinho, panfleto ou wind banner — de preferência mostrando a peça inteira, o número do candidato e o local (rua, esquina, ponto de ônibus).
- Anote endereço, data e horário.
- Registre a denúncia na categoria de propaganda irregular (banner, cartaz ou faixa).
- Envie. Guarde o número do protocolo.
Foi assim que o caso de Goiânia entrou na 127ª Zona. Sem a foto do Pardal, não haveria o parecer.
Segundo o advogado Eleitoral Edilberto de Castro Dias do Partido dos Trabalhadores: A campanha é livre para defender ideias. Não é livre para transformar em cabo eleitoral visual alguém que o STF impediu de divulgar manifesto político, inclusive por terceiros. Quem vir o material na rua pode — e deve — registrar e enviar. Em Goiás, o Ministério Público Eleitoral já mostrou que a denúncia não cai no vazio.
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