RIO VERDE COM 178 TRANSFORMOU EM UM GIGANTE DO AGRO NO BRASIL

Rio Verde chega aos 178 anos como gigante do agronegócio e amplia protagonismo nacional no campo
05 agosto 2026 às 18h52
Líder na produção de soja em Goiás, cidade alia força do campo, pesquisa científica e tecnologia para ampliar sua competitividade e atrair novos investimentos
Ao completar 178 anos nesta terça-feira, 5, Rio Verde reafirma a posição de uma das principais potências do agronegócio brasileiro. Maior produtora de soja de Goiás, segunda maior produtora de grãos do país e um dos maiores polos da agroindústria nacional, a cidade construiu sua história recente sobre a força do campo e hoje alia produção em larga escala, tecnologia, pesquisa e inovação para manter o protagonismo no setor.
O município, localizado no Sudoeste goiano, tem aproximadamente metade de sua economia sustentada pelo agronegócio e pela agroindústria, que impulsionam desde a geração de empregos até a atração de grandes empresas e investimentos.
“O PIB de Rio Verde hoje é composto em quase 50% pela agroindústria e pelo agro”, afirmou o prefeito Wellington Carrijo (MDB) ao Jornal Opção.

O peso do setor é resultado de décadas de investimentos em tecnologia e infraestrutura. Segundo levantamento do Instituto Mauro Borges (IMB), foi a partir da década de 1970, com a abertura do Cerrado para a agricultura e a chegada de produtores do Sul e Sudeste, que Rio Verde iniciou sua transformação econômica. A mecanização das lavouras, a introdução de novas tecnologias e a implantação de cooperativas e agroindústrias fizeram da cidade uma referência nacional na produção de alimentos.
Hoje, além da liderança na produção de soja, o município se destaca nas culturas de milho, sorgo, feijão, algodão, arroz, girassol e tomate. A produção agrícola abastece uma cadeia agroindustrial robusta, responsável pelo processamento de carnes, grãos e derivados, consolidando Rio Verde como um dos principais polos do agro brasileiro.
Investimentos reforçam posição estratégica
A força do agronegócio continua atraindo empresas nacionais e multinacionais. Durante a Tecnoshow Comigo 2026, uma das maiores feiras de tecnologia rural da América Latina, a Baldan Máquinas e Implementos Agrícolas destacou Rio Verde como um dos mercados mais importantes para sua estratégia de crescimento.
“Rio Verde é bastante estratégico. Temos uma região muito próspera e muitos clientes de preparo de solo e plantio”, afirmou ao Jornal Opção o gerente de marketing da empresa, Fabiano Leite.
Segundo ele, a localização privilegiada, a concentração de produtores rurais e a parceria com a Cooperativa Comigo tornam o município um ambiente favorável para investimentos.
Na feira, a empresa apresentou máquinas para preparo de solo, plantio e pulverização, além de linhas de financiamento e alternativas como a compra de equipamentos utilizando sacas de soja e milho como forma de pagamento.
“O produtor consegue comprar uma máquina de preparo de solo a partir de 380 sacas de soja”, explicou Fabiano.
Mesmo diante de um cenário internacional de alta nos custos de produção, a empresa afirma manter a aposta no município.
“Nosso diferencial está na durabilidade e na tecnologia. A guerra não vai ser de preço, porque isso prejudica a indústria”, ressaltou.
Tecnologia fortalece o agro
A modernização da produção também passa pelos investimentos em inovação. Segundo Wellington Carrijo, Rio Verde trabalha para ampliar o uso da tecnologia dentro e fora das propriedades rurais.
“Também agora nós temos investido fortemente na área de tecnologia, através do hub que nós trouxemos em parceria com o Governo de Goiás, estimulando as startups a serem incubadas aqui”, afirmou.
A iniciativa busca aproximar empresas, universidades e produtores rurais, desenvolvendo soluções voltadas à agricultura de precisão, automação e inteligência aplicada ao campo.
O avanço tecnológico também coloca Rio Verde no centro de pesquisas voltadas à sustentabilidade. O município integra o programa Goiás Verde, desenvolvido pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) em parceria com o Centro de Excelência em Agricultura Exponencial (Ceagre).
Os primeiros resultados mostram que, para cada tonelada de grãos produzida, as lavouras podem retirar até cinco toneladas de dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera.
“Os resultados preliminares mostram que as áreas de agricultura têm potencial de apresentar percentuais semelhantes de matéria orgânica no solo em relação às áreas de preservação. Outro dado relevante é a capacidade de assimilação de dióxido de carbono pela soja”, explicou o coordenador do Ceagre, Fernando Cabral.
Para o vice-governador Daniel Vilela, a pesquisa coloca Goiás em posição de destaque na agricultura sustentável.
“Estamos dando um passo decisivo com uma pesquisa pioneira no Brasil. Por muito tempo dependemos de modelos internacionais que não refletem a nossa realidade. Agora, Goiás assume protagonismo ao demonstrar o potencial sustentável da própria produção”, afirmou.
Agro impulsiona desenvolvimento
Embora a economia local venha ampliando a participação dos setores de serviços e tecnologia, o agronegócio continua sendo a principal locomotiva do desenvolvimento de Rio Verde.
“Tem crescido o quesito serviços”, destacou Wellington Carrijo, ao explicar que a diversificação econômica acompanha a expansão do município sem reduzir a importância do agro.
Aos 178 anos, Rio Verde segue como uma das maiores vitrines do agronegócio brasileiro. Da produção recorde de grãos ao avanço da agroindústria, passando pela pesquisa científica e pela inovação tecnológica, o município consolida um modelo de desenvolvimento que mantém o campo como principal força econômica e projeta a cidade entre as maiores referências do setor no país.
Leia também: Diversificação econômica ganha força em Rio Verde, e setor de serviços já responde por até 36% do PIB
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